Convergência de bandeiras diferentes é marca do movimento – Artigo da Gazeta do povo

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03/07/2011 por Marcha das Vadias de Curitiba

Publicado em 02/07/2011 | CHICO MARÉS




Durante o mês de junho, as marchas pela liberdade de expressão, pela maconha e a das “vadias” mobilizaram militantes em diversas capitais do Brasil. Inspiradas em movimentos internacionais, essas marchas utilizaram as mídias sociais, como o Twitter e o Facebook, para juntar pessoas das mais diversas origens e com os mais diversos pontos de vista políticos para defender a liberdade de expressão, o direito de solicitar a legalização das drogas e os direitos das mulheres.


Para o estudante Alexandre Boing, participante da Marcha da Liberdade, o jovem de hoje não é necessariamente mais politizado, mas o formato da militância tende a atrair mais pessoas. “As bandeiras são muito mais amplas. Elas permitem que pessoas ligadas a diferentes causas possam estar reunidas no mesmo espaço, pois percebem que as questões estão interligadas”, comenta.




Segundo a historiadora Máira Nunes, uma das organizadoras da Marcha das Vadias, a principal característica desses movimentos é justamente a convergência das bandeiras ao redor de uma causa comum. Inicialmente uma manifestação sobre a liberdade de a mulher escolher o que vestir, a marcha acabou se tornando um espaço de discussão de políticas públicas para a mulher.


Apesar disso, ela acredita que a falta de um foco mais específico é uma questão temporária. A partir da marcha, surgiu um espaço de discussão para onde esse movimento deve ir. “A partir desse encontro de diferentes bandeiras, essas pessoas mantêm o contato. As marchas nos outros lugares do mundo já estão mantendo a mobilização e se transformando em um movimento contínuo”, afirma. De acordo com Máira, a questão da transparência de dados em relação à violência contra a mulher é um dos temas que devem nortear o movimento no futuro.


Para Boing, ambos os movimentos são respostas a uma falta de diálogo do estado com a sociedade, e apontam para uma democracia participativa. “Queremos uma sociedade que não apenas delegue poder [a políticos], mas que também participe da gestão de seus interesses”, comenta. Uma dessas formas de participação seria justamente a pressão sobre os governantes por meio da mobilização.


Política e internet


Para Máira, a sociedade ainda vive um momento de adaptação à realidade da internet. “Ela abriu espaço para uma demanda reprimida. Agora que as pessoas acharam um canal, é muito difícil que isso pare.” No entanto, ao mesmo tempo em que essa realidade favorece a mobilização de grupos que lutam pelos direitos das minorias, ela também amplifica a voz de quem apóia posições contrárias, como a do deputado federal Jair Bolsonaro, que é contra o casamento gay, por exemplo. “Esse primeiro momento é de libertar o que estava preso na garganta. É importante superá-lo e chegar a um debate racional”, afirma a historiadora.

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