Ato pelo fim da violência contra a mulher – 24/11/2012

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25/11/2012 por Marcha das Vadias de Curitiba

 

“Foi difícil ouvir de uma mulher que “Isso não acontece. Você está louco”, olhando diretamente pra mim e eu pensando que não iria discutir com ela…

Ato em silêncio é isso. Torço que tenha feito muitas pessoas pensar sobre o assunto.

Muitas pessoas pararam, leram, algumas riram, outrxs saíram meio que de cabeça baixa porque era cerca de uma dúzia de pessoas segurando cartazes com histórias de violência, com marcas de sangue no rosto, na pele.
Acho que foi o ato que talvez tenha tido um maior resultado.
Em vários momentos fui cercado por pessoas, lendo o cartaz, aconteceu o mesmo com outras pessoas. Pararam para tirar fotos, para dizerem que “É isso aí”.
O silêncio e a expressão de seriedade diz mais que tudo.”
“Isso não é sobre sexo, é sobre violência!”.
“Os rostos tinham lágrimas de sangue, os olhos roxos, borrados. Nos cartazes mensagens, histórias, mulheres que sofrem violência, física, moral, psicológica. Uns pararam leram, alguns faziam sim com a cabeça, outros ignoraram como se aquilo fosse uma brincadeira. Difícil foi o silêncio, quase chorei quando vi duas pessoas rirem. Violência é coisa séria e ainda tem gente que trata como piada. Achei um dos atos mais bonitos que já presenciei e participei, antes do cartaz que segurei ali havia segurado um outro que dizia: ‘ as pessoas me chamam de vadia porque sou mulher e exerço minha liberdade livremente’. Fui chamada de louca por duas pessoas. É realmente o mundo tem muito que aprender, eu também, o silêncio é um aprendizado, mas saber a hora de falar e não se calar quando necessário também é.”

“Fazer um ato silencioso não é fácil, mas é muito significativo. Muitas pessoas que estavam passeando por ali felizes pelas suas compras, mudavam completamente quando viam nossos rostos, com a expressão séria, uma maquiagem que dizia que havíamos apanhado e cartazes que contavam histórias de violência contra a mulher. As pessoas tiveram reações diferentes, umas bateram palmas, outras falavam que iam pegar o cara que fizeram isso com a gente, outras se assustavam, crianças perguntavam se estávamos bem, outras não entendiam… Mas, o melhor era o incômodo que elas sentiam de nos ver ali, no meio de um lugar feliz e no sábado de manhã. Sem dúvida fizemos com que as pessoas parassem e pensassem e isso sempre foi nosso objetivo. Foi um dos melhores atos que já fiz, sugiro esse ato para todas as cidades, porque sei que consegui falar sobre violência contra a mulher com várias pessoas sem dizer uma palavra. “
Hoje fizemos nosso Ato pelo fim da violência contra a Mulher.
Estava garoando, havia outras atividades na Boca, mas mesmo assim conseguimos passar o nosso recado.
Duas pessoas esbarraram em mim, um homem alcoolizado disse que deveríamos trocar as palavras pela ação, uma senhora xingou os homens.
Durante um tempo fiquei na “linha de frente”. Nenhuma pessoa me olhou nos olhos. Nenhuma pessoa perguntou por que eu estava ali. Ninguém perguntou qual era o motivo da manifestação.
As pessoas ficam extremamente incomodadas quando alguém atrapalha seu passeio de compras.
Não, ninguém quer saber da violência. Ninguém quer pensar no sofrimento dos outros.
Ninguém quer pensar no seu próprio sofrimento.”

 

“Hoje, dia 25 é dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Esse dia também faz parte da campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”. Eu escolhi essa imagem, porque essa semana aconteceu o julgamento de um caso extremamente ilustrativo pro Brasil: a mulher que é violentada, que apanha, que é assassinada e que, além de tudo isso, sofre sendo julgada por um país inteiro que diz que ela mereceu morrer, que diz que ela era uma vadia e sua vida mereceu ser interrompida. Eu não quero me calar diante de nenhum caso de violência, desde o mais desconhecido ao mais publicizado. Eu não quero que mulheres tenham que enfrentar o julgamento, a dor, as perdas, a morte. Eu quero mulheres livres, livres da violência, livres do machismo, livres para serem tão incríveis quanto elas sempre sonharam em ser.
Hoje e sempre eu me levanto contra o machismo e a violência, para e por essas mulheres que não tem mais voz.”

 

 

FOTOS BY LARI SCHIP.

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4 pensamentos sobre “Ato pelo fim da violência contra a mulher – 24/11/2012

  1. Thais disse:

    È estou com vc,sei bem como é isso,tenho 17 anos,e ja passei por algumas coisas com alguns tarados

  2. Ariana Silva disse:

    Lindo Ato. Parabéns pela iniciativa.

  3. Achei incrível este ato! As pessoas estão cansadas e acostumadas com passeatas e fazer algo diferente, reaviva as pessoas! O caso da Elisa foi realmente deprimente e é triste saber que ainda culpam a mulher e sempre a mulher quando cometem violência contra ela, mas temos que continuar a lutar, principalmente porque muitas mulheres são sexistas. Fico feliz de saber também, que muitos homens estão lutando junto! Esta não é uma luta só das mulheres, mas de todos, pois quando a violência acabar, seja racista, machista, especista etc, o mundo se tornará um lugar melhor para todos.

  4. renata ab disse:

    sensacional !

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