Marcha das Vadias Curitiba – Quem Somos Nós

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22/02/2013 por Marcha das Vadias de Curitiba

Por Kaley Michelle

 

Em 2011, logo após o episódio no Canadá que deu o ponta pé no movimento mundial “Marcha das Vadias” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_das_Vadias), cinco mulheres sentiram na pele a necessidade de sacudir Curitiba, mudar a realidade de violência machista que atingiu a cada uma de forma forte e pessoal e assimirem-se como “Vadias”. Elas mobilizaram os amigos, as famílias, os conhecidos, os contatos virtuais e fizeram o árduo trabalho de organizar uma manifestação na rua e trazer para a sociedade curitibana as questões muitas vezes não tratadas como prioridade pela sociedade, pela educação e pelo poder público.

 

Para concretizar qualquer manifestação pública, são necessários trâmites legais que exigem tempo, dinheiro, paciência, jogo de cintura e CNPJ. Durante a mobilização que procedeu a primeira Marcha das Vadias em Curitiba essas cinco mulheres tomaram as frentes e iniciaram também diálogos com movimentos sociais, com minorias discriminadas, com ONGs e com o poder público para que a mensagem de não-violência e igualdade pudesse ecoar muito depois da primeira manifestação.

 

A primeira marcha causou impacto com quase 2.000 pessoas tomando as ruas no trajeto pensado não só logística, mas simbolicamente para que todos os gêneros pudessem afirmar seus valores, impondo respeito e chamando a atenção para as situações machistas do dia a dia.

 

Após essa primeira vitória de trabalho colaborativo, houve uma ruptura na organização inicial e todxs sentiram na pele a necessidade de abrir a organização, com suas responsabilidades e deveres, para que houvesse mais apropriação e pluralidade enriquecendo o movimento. Reuniões presenciais regulares e divulgadas amplamente, a ocupação da Boca Maldita, atos, participação na Marcha das Mulheres, participação em conferências de políticas públicas para mulheres e a chegada de feministas expressivas e atuantes abriu uma infinita rede de contatos ao longo do ano. Antes da Marcha das Vadias de 2012, a organização já contava com mais de 20 pessoas integralmente envolvidas em cada parte do movimento e propagando suas visões e posturas igualitárias, construindo a Marcha num apartamento central gentilmente cedido para a causa.

 

Em 2012 a Marcha das Vadias de Curitiba colocou 7.000 pessoas no mesmo trajeto, performances, fantasias, cartazes, banners, corpos pintados, shows, e um volume de voz contra violência, machismo e preconceitos que causou novamente um impacto além do que a organização esperava. Tiveram bandeiras de partidos, porém, ressaltamos a impossibilidade de proibir, caracterizando censura, e a necessidade de afirmarmos a responsabilidade dos indivíduos que o fizeram como ação independente do movimento em si.

 

A Marcha das Vadias de Curitiba se afirma como movimento suprapartidário, porém reconhece a necessidade de não-omissão política e incentiva apoio pelos candidatos que representem a luta e as questões para as quais marchamos, independente dos seus partidos. Não deixaremos que nenhum partido se “aproprie” nem se responsabilize por colocar nossa marcha na rua. Incentivamos o voto consciente, pois é só através deste que podemos mudar a realidade que vivemos. Incentivamos atitudes, não só publicamente, mas nas nossas vidas pessoais de igualdade, respeito, humildade e amor pelas diferenças. Para nós, ativismo é um ponto onde divergências são construtivas, pois com respeito e maturidade qualquer crítica traz crescimento.

 

Quem coordena a marcha? Quem “manda” na marcha? Nossa resposta é: qualquer pessoa que se identifique com essa luta e queira investir seus esforços. Quem integra a organização o faz porque, em algum momento da vida, sofreu com violência, preconceito e posturas machistas e patriarcais. Todxs, sem exceção, são convocadxs a opinarem, criticarem, votarem e a proporem novas pautas para enriquecer e ampliar nossos focos.

 

Agradecemos de coração o apoio de quem já participou e(ou) ainda participa da nossa ou de qualquer outra Marcha das Vadias Brasil afora, para que “Vadia” nunca mais seja um xingamento e sim sinônimo de pessoa empoderada, segura, feliz consigo e militante pelos seus direitos! Marchemos até que TODXS sejam livres!

 

Reuniões-

-Ocupação do reduto machista curitibano Boca Maldita – Sextas às 18:00

 

-Novas pautas e deliberações de ações Marchas das Vadias – a confirmar conforme disponibilidade de espaço, curta nossa fanpage e fique sabendo!

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