Sobre a Violência

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16/06/2013 por Marcha das Vadias de Curitiba

Será que existe uma maneira boa ou correta para escrever a respeito de violência sexual?

Perdoem meu texto, não tem como eu tratar deste assunto de uma forma mais técnica ou política.

Vou escrever conforme minhas impressões pessoais, que de certa forma podem parecer exageradas até, pois graças a Deus nunca sofri nenhum tipo de violência desta forma.

Ás vezes, fico pensando se essa minha preocupação com o tema seria caso de psicólogo ( já que vem desde a infância), se eu deveria usar teorias espíritas devido a esta ser minha religião, ou somente porquê eu vejo os anos passarem e não haver melhoras nas estatísticas da violência contra as mulheres.

Mas se  eu acho extremamente desconfortável escrever a respeito, eu sempre tenho a impressão que o cinema, TV e internet não acham, pelo contrário, devem ter criadores, escritores e afins que devem achar que explorar o tema na ficção atrai ibope.

Desculpem a minha opinião, mas toda vez que eu vejo uma cena de violência sexual em clipes musicais ou filmes , eu não consigo encarar como um meio de comunicação para combater, pra mim serve apenas para mostrar a todo momento o quanto somos vulneráveis.

É como se fosse questão de tempo para sermos a próxima vítima.

Pior que filme de terror, eu realmente me sinto obrigada a repensar minhas atitudes, minha liberdade de ir e vir, e o medo se torna companheiro cada vez que saio de casa.

Mais que isso, tenho medo por meus filhos. Esse fim de semana foi um tema recorrente na TV.

Assisti o filme  Onde Mora o Coração (Where the Heart Is). Uma das personagens pegou seu então namorado abusando sexualmente dos seus filhos e acabou sendo espancada. Uma cena que não mostrou nada explicitamente, apenas deu a entender, eu diria que dentro de um roteiro tão cheio de histórias, aquela cena seria até dispensável. Pra mim serviu pra estragar o resto do domingo e pra pensar o quanto nós mães somos responsáveis pelas pessoas que botamos dentro de casa. Mas me diga, tirando indícios óbvios, como vamos identificar e nos proteger de possíveis violentadores? Seria muito radical eu me privar de pensar em um casamento futuro para que nenhum maldito mexa com meus filhos? Porque quando a gente vê uma cena dessa em filme logo pensamos “porquê essa mulher foi botar homem dentro de casa? “ , condenamos mães solteiras a solteirisse eterna.

Aqui na vida real eu vi minha mãe, que ficou viúva do meu pai aos 32 anos e nunca mais casou. Várias vezes eu vi ela afirmando que evitou para não botar um maldito desse dentro de casa. Também vi amiga minha contando que seu padrasto abusava dela quando criança, e quando a mãe soube, saiu de casa pra morar sozinha com ele. A família toda, inclusive minha amiga, perdoaram ele, pois ele se tornou evangélico, e já que entregou a vida a Deus, merecia ser perdoado.

Mas o que devemos fazer então para nos proteger?

Fechar os olhos e ouvidos para fingir que não acontece nada ao redor?

Deixar de assistir esses telejornais que parecem pingar sangue pra não ver notícias ruins?

Como esquecer se a novela faz questão de nos lembrar como existem doentes à solta ( eu não acho muito eficaz falar de tráfico sexual em novela de qualidade duvidosa) e que existem inúmeros sites de pornografia voltados exclusivamente para quem tem esse tipo de “fetish”.

Como não pensar, se quando vamos escolher nossa próxima viagem precisamos pensar que existem países mais propícios a sofrer este tipo de violência que outros ( quando eu ouvia falar de que na África ou certos países muçulmanos era perigoso eu até não me surpreendia, mas quando soube que na Índia, um país procurado para quem deseja elevação espiritual, aconteciam tamanhas atrocidades a níveis absurdos, eu fiquei de certa forma chocada).

Fica a pergunta, quando, onde e com quem estamos seguras de fato?

 

F. M. S

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