2013

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DESCONSTRUINDO O MACHISMO DENTRO DE TODXS NÓS

Construímos uma sociedade machista e violenta e atualmente passamos a nos assustar com a realidade dessa violência. Curitiba está entre as cidades mais desiguais da América Latina e entre as capitais brasileiras que mais mata pessoas que não se enquadram no padrão normativo da sociedade.

Acreditamos que a causa de toda essa violência reside na organização da sociedade patriarcal contemporânea enquanto manifestação de relações de poder desiguais, que criam inúmeras formas de exclusão, opressão e violência. O machismo é face mais visível destas relações e acaba por nos tornar reféns dos comportamentos opressores que reproduzimos todos os dias. Faz parte de nós, da nossa educação, dos valores que aprendemos na escola, nos programas de TV, em casa.

Por isso, em 2013 marchamos para desconstruir o machismo que há em todxs nós.

Desconstruir o machismo que determina, antes mesmo de nascermos, os nossos corpos e prazeres. Nossos corpos são produzidos e recebemos regras para exercê-los: meninos devem vestir azul, gostar de futebol, gostar de briga e não podem expressar seus sentimentos. Meninas devem usar rosa, brincar de casinha, ser submissas e delicadas. Identidades de gênero artificiais, criadas socialmente, que nos aprisionam em regras e normas de comportamento e personalidade.

Desconstruir o machismo que critica a sexualidade feminina e condena o seu livre exercício. Mas, ao mesmo tempo, reforça a hipersexualização de meninas e mulheres, desde que a serviço do prazer masculino. Todos os dias vemos um desfile de peitos e bundas, de corpos moldados, brilhantes e padronizados, expostos e impostos a todxs, como se realmente as mulheres fossem donas de seus corpos. Não são, pois quando decidem assumir seu desejo são chamadas de vadias.

 

Esse mesmo machismo vem acompanhado de racismo e cria a ideia de que todxs xs não-brancxs são inferiores. Na nossa sociedade machista e racista os homens negros são relegados à marginalidade e as mulheres negras são hipersexualizadas. Mulheres que não são brancas não têm direito ao seu próprio corpo, à sua negritude, à sua etnia indígena. Dificilmente são retratadas na mídia e quando são aparecem como objetos exóticos, para serem admirados como um atração diferente e sexualizada.

Desconstruir o machismo que tolera a violência contra x diferente, contra quem ousa lutar por liberdade. O machismo que justifica o estupro e atribui a culpa pela agressão à própria vítima: “Estava pedindo”, “Ela é mulher fácil”, “É uma vadia mesmo”, “Mulher gosta de apanhar”, “Estava bêbada”, “Estava usando roupa curta”, “Ela provocou”… O machismo que violenta também os homens, e não só os gays, mas todos os que não se enquadram num suposto padrão de heteronormatividade: as “bichinhas”, “os boiolas”, os caras que não se comportam como “macho”. Estes são argumentos usados todos os dias, por todas as pessoas, para reforçar a opressão e a impunidade.  A violência do machismo deixa marcas e destrói vidas. E, ao contrário do que se pensa, x agressxr não é alguém desconhecidx. Geralmente é uma pessoa do círculo de convivência, na qual a vítima confia. Precisamos urgentemente mudar a nossa educação e criar uma conscientização para que possamos acabar com a tolerância machista.

Temos que nos levantar diante dos diferentes tipos de machismos, inclusive os que vêm acompanhados pela transfobia, lesbofobia e racismo. Porque não importa qual a sua identidade (brancx, negrx, hétero, lésbica, gay, cis, trans*, etc) o que importa mesmo é que nós cuidamos umx dx outrx.

 

Venha marchar conosco e dizer não ao machismo. O meu, o seu, o de todxs nós.

RESISTA, RESPEITE, VENHA PRA LUTA!

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